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Article #115

A nossa hist�ria

#115
From: Maria
Date: Mon, 19 Apr 1999 00:00
48 lines
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Reparaste em mim. Era, ali�s, a �nica forma de nos conhecermos.
Cumprimentaste-me e reparei na originalidade do cumprimento. Passaste
a meter-te comigo, constatava eu num misto de indiferen�a e orgulho.
As tuas frequentes alus�es a mim, em frente de toda a gente, come�aram
a criar-me algum inc�modo. Disse-to. Dei-te ent�o um pretexto para me
procurares s�. E a partir da� a busca foi rec�proca. 

Nunca to disse, mas na primeira ocasi�o de se pedirem desejos, pedi
toda a noite que fosses tu Aquele que eu procurava. Fiz contigo, sem
que o soubesses, os meus primeiros brindes, talvez ainda mais
carregados de desejo que aqueles que fazemos agora insistentemente.

Poucos dias depois surgia o primeiro beijo. Saboroso, inesperado,
incr�dulo, inc�modo (ainda n�o tinha analisado suficientemente os
olhos que me estavam a beijar). Poucos dias depois j� n�o podia passar
sem eles.

A paix�o era evidente, avassaladora, loucamente saborosa quando
est�vamos juntos, repleta de dor nas muitas aus�ncias.

Passaste a fazer parte do meu dia a dia, ali�s, passaste a s�-lo.

E a meiguice e paix�o constantes do teu sorriso, as palavras sempre
ternas, o rosto ora s�rio ora transcendentemente sorridente, os teus
infind�veis abra�os, fixaram-te em mim.

Passei a ser tua. Inapelavelmente tua.

Agora, quando vens para mim, preciso de recordar palpavelmente o teu
cheiro, o sabor da tua pele, o sentir dos teus abra�os, a tua voz sem
fios... depois, rever fixamente o teu rosto, voltar a ter o teu
sorriso, os olhos com que olhas para mim.

Em que beleza te tornaste, amor meu! Que loucura plantaste em mim!

Ensinaste-me que os amores dos poetas s�o mesmo amores e n�o desvarios
de loucos. Que as dores s�o menos dores quando se partilham com quem
se quer partilhar connosco. Que no colo de um amor somos tudo e
revelamos tudo, se calhar at� mais que a n�s pr�prios.

E no infinito me deito contigo, infinita em mim, revelando-me e
transcendendo-me, querendo que me tenhas como algo teu. E tu tens, que
amor s� � amor quando � de dois.

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Maria
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From: retirar-mariasim@usa.net (Maria)
Subject: A nossa hist�ria
Date: 1999/04/19
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