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Article #115A nossa hist�ria
From: Maria
Date: Mon, 19 Apr 1999 00:00
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Reparaste em mim. Era, ali�s, a �nica forma de nos conhecermos. Cumprimentaste-me e reparei na originalidade do cumprimento. Passaste a meter-te comigo, constatava eu num misto de indiferen�a e orgulho. As tuas frequentes alus�es a mim, em frente de toda a gente, come�aram a criar-me algum inc�modo. Disse-to. Dei-te ent�o um pretexto para me procurares s�. E a partir da� a busca foi rec�proca. Nunca to disse, mas na primeira ocasi�o de se pedirem desejos, pedi toda a noite que fosses tu Aquele que eu procurava. Fiz contigo, sem que o soubesses, os meus primeiros brindes, talvez ainda mais carregados de desejo que aqueles que fazemos agora insistentemente. Poucos dias depois surgia o primeiro beijo. Saboroso, inesperado, incr�dulo, inc�modo (ainda n�o tinha analisado suficientemente os olhos que me estavam a beijar). Poucos dias depois j� n�o podia passar sem eles. A paix�o era evidente, avassaladora, loucamente saborosa quando est�vamos juntos, repleta de dor nas muitas aus�ncias. Passaste a fazer parte do meu dia a dia, ali�s, passaste a s�-lo. E a meiguice e paix�o constantes do teu sorriso, as palavras sempre ternas, o rosto ora s�rio ora transcendentemente sorridente, os teus infind�veis abra�os, fixaram-te em mim. Passei a ser tua. Inapelavelmente tua. Agora, quando vens para mim, preciso de recordar palpavelmente o teu cheiro, o sabor da tua pele, o sentir dos teus abra�os, a tua voz sem fios... depois, rever fixamente o teu rosto, voltar a ter o teu sorriso, os olhos com que olhas para mim. Em que beleza te tornaste, amor meu! Que loucura plantaste em mim! Ensinaste-me que os amores dos poetas s�o mesmo amores e n�o desvarios de loucos. Que as dores s�o menos dores quando se partilham com quem se quer partilhar connosco. Que no colo de um amor somos tudo e revelamos tudo, se calhar at� mais que a n�s pr�prios. E no infinito me deito contigo, infinita em mim, revelando-me e transcendendo-me, querendo que me tenhas como algo teu. E tu tens, que amor s� � amor quando � de dois. ------ Maria
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